SIEMACO-SP marca presença na Conferência Livre Nacional de Saúde Mental e Trabalho e defende visibilidade para os invisíveis

 SIEMACO-SP marca presença na Conferência Livre Nacional de Saúde Mental e Trabalho e defende visibilidade para os invisíveis

A saúde mental no ambiente de trabalho, tantas vezes deixada de lado, foi o tema central da Conferência Livre Nacional de Saúde Mental e Trabalho, realizada no último dia 1º de abril na Universidade de Brasília (UnB). O evento aconteceu em formato híbrido – presencial e online – e reuniu mais de 690 participantes de diversas regiões do país. Representando o SIEMACO-SP, a diretora Maria Silva levou à discussão a realidade de uma categoria essencial, mas frequentemente esquecida: os trabalhadores da limpeza, asseio e conservação.

A conferência, que serviu como etapa preparatória para a 5ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, debateu os impactos crescentes do modelo de trabalho atual sobre a saúde mental da população trabalhadora. Três grandes eixos guiaram os grupos de trabalho: a atualização da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora; os efeitos das novas formas de trabalho, como a precarização e o trabalho por aplicativo; e a importância da participação social como forma de controle e fiscalização das políticas públicas.

Com experiência de mais de 20 anos no chão das fábricas, hospitais e grandes centros urbanos, Maria Silva fez questão de lembrar que os profissionais da limpeza também têm histórias, dores e direitos.

“A maioria das pessoas não enxerga quem limpa os escritórios, os hospitais, os banheiros dos shoppings. Mas são esses trabalhadores que estão expostos ao acúmulo de estresse, à invisibilidade, e a ambientes que, muitas vezes, adoecem mais do que acolhem”, afirmou.

“Nós, do SIEMACO-SP, estamos aqui para garantir que essa realidade entre no debate nacional com força”, completou.

Entre as propostas levantadas durante o evento, destacam-se a criação de núcleos de escuta psicológica nos ambientes de trabalho, políticas de combate ao assédio moral e estratégias para garantir apoio emocional imediato a trabalhadores expostos a situações traumáticas.

Maria também pontuou que muitas empresas ainda enxergam a saúde mental como “assunto particular” dos funcionários, quando, na verdade, trata-se de um tema coletivo e estrutural.

“Você vê o funcionário faltando, calado, retraído. Ninguém pergunta o que está acontecendo. Mas ele está sobrecarregado, mal dorme, trabalha com medo de perder o emprego. A saúde mental começa com respeito e empatia”, afirmou.

As propostas elaboradas serão levadas à conferência nacional, em agosto, com o objetivo de transformar as discussões em diretrizes que orientem políticas públicas e ações institucionais.

“Essa conferência foi um passo importante. A saúde mental do trabalhador não pode mais ser tratada como um detalhe. É central. E é por isso que o SIEMACO-SP segue presente, vigilante e atuante onde as decisões são tomadas”, concluiu Maria Silva.

*Por Fabiano Polayna (MTb 48458/SP)